SaúdeTodos os Musculos do Corpo Humano

Lista Completa dos Músculos do Corpo Humano por Região Anatômica

O corpo humano possui cerca de 650 músculos esqueléticos, embora o número exato possa variar conforme diferentes fontes agrupam os músculos de formas distintas. Para facilitar o estudo, esses músculos podem ser organizados por regiões do corpo (“membros”), como cabeça e pescoço, tronco, membros superiores e membros inferiores. A seguir apresenta-se uma lista abrangente dos músculos em cada região, incluindo sua localização básica e função principal, conforme descrito em fontes anatômicas e médicas confiáveis.

Músculos da Cabeça e Pescoço

Músculos da Cabeça e Pescoço

Músculos da Face (Expressão Facial)

  • Occipitofrontal (Ventre Frontal e Ventre Occipital): Músculo do couro cabeludo dividido em porção frontal (testa) e porção occipital (nuca). Eleva as sobrancelhas e enruga a testa (ventre frontal) e traciona o couro cabeludo para trás (ventre occipital), contribuindo para expressões de surpresa. As duas porções são unidas pela galea aponeurótica (aponeurose epicraniana).
  • Temporoparietal: Músculo fino na região das têmporas, auxiliar do occipitofrontal. Traciona a pele das têmporas para trás, auxiliando a ampliar os olhos em expressões de medo ou surpresa, ao enrugar a região lateral dos olhos.
  • Auriculares (anterior, superior e posterior): Três músculos ao redor da orelha. São músculos vestigiais em humanos, responsáveis por pequenos movimentos da orelha (como orientar a orelha levemente para captar sons). O auricular anterior e superior inserem-se na aponeurose epicraniana, e o posterior no processo mastóide.
  • Orbicular do olho (Orbicularis oculi): Músculo circular ao redor das pálpebras. Fecha vigorosamente os olhos, permitindo piscar e auxiliar na dispersão de lágrimas sobre o olho. Possui parte palpebral (piscar suave) e orbital (fechamento forte dos olhos).
  • Corrugador do Supercílio: Localizado profundo aos músculos da sobrancelha, origina-se na porção medial do arco supraciliar. Puxa as sobrancelhas medial e para baixo, formando rugas verticais na testa – expressões de foco ou preocupação.
  • Prócerus: Entre os olhos, sobre a raiz do nariz. Puxa a parte medial das sobrancelhas para baixo e enruga a pele do nariz (região da glabela), contribuindo para expressões de raiva ou desconforto.
  • Nasal: Cobre o dorso do nariz. Possui duas partes: porção alar (origina na maxila e insere na cartilagem da asa do nariz) e porção transversa (insere no dorso nasal). Dilata as narinas, auxiliando em cheirar profundamente ou expressar desdém.
  • Levantador do Lábio Superior e Asa do Nariz: Estende-se da maxila para o lábio superior e lateral do nariz. Eleva o lábio superior e simultaneamente dilata a narina, contribuindo para expressões de desgosto ou esforço respiratório nasal.
  • Levantador do Lábio Superior: Eleva o lábio superior, expondo os dentes superiores (como em expressões de nojo). Localiza-se entre a órbita e o lábio superior.
  • Levantador do Ângulo da Boca: Eleva o canto da boca, auxiliando no sorriso. Origina-se na maxila (fossa canina) e insere-se no ângulo da boca.
  • Zigomático Maior: Músculo alongado que vai do osso zigomático ao canto da boca. Tração do ângulo da boca para cima e lateralmente, sendo o principal músculo responsável pelo sorriso aberto.
  • Zigomático Menor: Corre do osso zigomático até o lábio superior. Eleva o lábio superior, auxiliando no sorriso (especialmente no sorriso mais contido).
  • Risório: Fino e superficial, estende-se da fáscia da região parotídea até os cantos da boca. Puxa os ângulos da boca lateralmente, produzindo um sorriso alargado ou expressão de graça (riso contido).
  • Depressor do Ângulo da Boca: Origina na mandíbula (linha oblíqua) e insere no canto da boca. Puxa o ângulo da boca para baixo, produzindo expressões de tristeza ou desagrado.
  • Depressor do Lábio Inferior: Vai da mandíbula ao lábio inferior. Deprime (abaixa) o lábio inferior e o move ligeiramente para lateral, como em expressão de dúvida ou ironia.
  • Mentual (Músculo Mentual ou Mentoniano): Situado no queixo. Protrai o lábio inferior e enruga o queixo, permitindo a expressão de beiço (como quando fazemos biquinho).
  • Orbicular da boca (Orbicularis oris): Músculo circular que circunda os lábios. Comprime e projeta os lábios para frente (“biquinho” ou assobio) e fecha a boca. É essencial para ações como beijar, assobiar e articular palavras.
  • Bucinador: Grande músculo plano na parede da bochecha, originando-se dos processos alveolares da maxila/mandíbula e rafe pterigomandibular, inserindo-se no ângulo da boca. Comprime as bochechas contra os dentes e expulsa o ar entre os lábios, permitindo assobiar, soprar e sugar; também auxilia a manter os alimentos entre os dentes durante a mastigação. É perfurado pelo ducto parotídeo.
  • Platisma: Músculo superficial subcutâneo do pescoço, estendendo-se da parte superior do tórax e clavícula até a mandíbula. Tenciona a pele da região anterior do pescoço e parte inferior da face (como ao fazer caretas, ou indicar tensão), e auxilia a depressão da mandíbula (abrir ligeiramente a boca contra resistência). É um músculo fino mas amplo, cobrindo a região anterolateral do pescoço.
Músculos da Mastigação (Mandíbula)

Músculos da Mastigação (Mandíbula)

  • Masseter: Músculo espesso localizado na mandíbula, originando-se no arco zigomático (maçã do rosto) e inserindo-se no ângulo e ramo da mandíbula. É o principal músculo mastigatório, elevando a mandíbula (fecha fortemente a boca). Permite morder e triturar os alimentos; sua contração pode ser sentida apertando os dentes.
  • Temporal (Temporalis): Músculo em forma de leque na têmpora (fossa temporal do crânio), inserindo-se no processo coronóide da mandíbula. Eleva a mandíbula (assiste o masseter no fechamento da boca) e retrai a mandíbula para trás após a mordida. Pode-se senti-lo contraindo ao mastigar, colocando os dedos nas têmporas.
  • Pterigóideo Medial: Localizado na face medial do ramo da mandíbula (profundo à mandíbula). Age em conjunto com o masseter para elevar a mandíbula (fechamento da boca) e realiza pequenos movimentos laterais de moagem. Auxilia na mastigação, movendo a mandíbula lateralmente quando em ação alternada.
  • Pterigóideo Lateral: Localizado profundamente na fossa infratemporal, estendendo-se da base do crânio (esfenoide) ao colo do côndilo da mandíbula. Protrai a mandíbula (puxa-a para frente) e auxilia a abrir a boca iniciando a depressão mandibular. Juntamente com o pterigóideo medial, contribui para movimentos de deslize lateral da mandíbula, importantes para trituração de alimentos.
Músculos Extrínsecos do Globo Ocular (Olhos)

Músculos Extrínsecos do Globo Ocular (Olhos)

  • Reto Superior: Origina-se no anel tendíneo comum no fundo da órbita e insere-se na porção superior do globo ocular. Eleva o olho (olhar para cima) e também aduz (vira o olho para o nariz) e roda medialmente o olho.
  • Reto Inferior: Origina-se no mesmo anel tendíneo e insere-se na porção inferior do globo ocular. Depressa o olho (olhar para baixo), além de aduzí-lo e rodá-lo lateralmente (movimento combinado).
  • Reto Medial: Corre pelo lado interno da órbita até a esclera medial. Aduz o olho (vira o globo ocular em direção ao nariz), contribuindo para convergência ocular (olhos olhando para o mesmo ponto próximo).
  • Reto Lateral: Estende-se do anel tendíneo ao lado lateral do globo ocular. Abduz o olho, movendo-o para o lado (olhar para fora, afastando do nariz).
  • Oblíquo Superior: Origina-se próximo ao ápice orbitário, passa por uma polia fibrocartilaginosa (tróclea) no canto superomedial da órbita e insere-se no olho por trás do equador do globo. Roda o olho para baixo e para fora (deprime e abduz, com rotação interna) – por exemplo, olhar para baixo e para o lado oposto do olho envolvido.
  • Oblíquo Inferior: Origina-se na porção ântero-medial do assoalho da órbita e insere-se na superfície inferolateral do olho. Eleva e abduz o olho, com leve rotação externa (movimento de olhar para cima e para o lado).
  • Levantador da Pálpebra Superior: Embora não mova o globo ocular, é um músculo extrínseco do olho fundamental. Origina-se no teto da órbita (esfenoide) e insere-se na pálpebra superior. Eleva a pálpebra (abre os olhos). Sua paralisia causa ptose (pálpebra caída).

Curiosidade: Os movimentos coordenados dos músculos oculares extrínsecos permitem rastrear objetos com os olhos. Médicos testam esses músculos pedindo ao paciente para “seguir o dedo” em várias direções, verificando o funcionamento conjunto para movimentos suaves.

Depositphotos_474520368_L
Depositphotos_474520368_L

Músculos da Língua (Extrínsecos)

  • Genioglosso: Músculo em leque que forma a maior parte da massa da língua. Origina-se na mandíbula (espinha mentoniana interna) e insere-se no corpo da língua (até o hióide). Protrai a língua para fora da boca e deprime sua porção central (como para dizer “A”). Também auxilia na respiração, evitando que a língua caia para trás.
  • Hioglosso: Origina-se no osso hióide e dirige-se para a lateral da língua. Deprime a língua e retrai suas bordas lateralmente. Importante para achatar a língua e auxiliar na deglutição.
  • Estiloglosso: Vai do processo estilóide do osso temporal até a lateral da língua. Eleva e retrai a língua, puxando-a para trás e para cima (como ao engolir ou emitir certos sons guturais).
  • Palatoglosso: Conecta o palato mole à base da língua (formando o arco palatoglossal na garganta). Eleva a parte posterior da língua e puxa o palato mole para baixo, aproximando-os – movimento importante no início da deglutição. (Embora listado aqui, o palatoglosso também é considerado um músculo do palato).

Observação: Além dos músculos extrínsecos acima (que movem a posição da língua), a língua possui músculos intrínsecos (longitudinais superior e inferior, transverso e vertical) que alteram a forma da língua (enrolar, achatar, alongar) para auxiliar na fala e no ajuste fino durante a mastigação e deglutição.

Músculos do Palato Mole (Céu da Boca)

Músculos do Palato Mole (Céu da Boca)

  • Tensor do Véu Palatino: Estende-se da base do crânio (esfenoide) até o palato mole, com um tendão que contorna o hâmulo pterigóideo. Tensiona e estica o palato mole lateralmente. Ao contrair, ajuda a abrir a tuba auditiva durante a deglutição e bocejo, equalizando a pressão no ouvido médio.
  • Levantador do Véu Palatino: Corre do osso temporal (porção petrosa) para o palato mole. Eleva o palato mole para cima e para trás, fechando a nasofaringe durante a deglutição. É fundamental para impedir que líquidos ou alimentos retornem ao nariz ao engolir.
  • Músculo da Úvula (Ávula): Forma o núcleo do úvula (campainha) pendente do palato mole. Retrai e eleva a úvula, ajudando o palato mole a fechar a passagem para a nasofaringe e contribuindo para a articulação de sons guturais.
  • Palatoglosso: (Já mencionado acima como elevador da língua, também pertence ao palato) – forma o arco palatoglosso e abaixa o palato mole enquanto eleva a base da língua, iniciando a fase reflexa da deglutição.
  • Palatofaríngeo: Forma o arco palatofaríngeo (posterior na garganta). Puxa o palato mole para baixo e a parede da faringe para cima, aproximando-os, além de elevar a laringe. Atua para fechar a nasofaringe e guiar o bolo alimentar para a faringe.
Músculos da Faringe

Músculos da Faringe

  • Constritores da Faringe (Superior, Médio e Inferior): Três músculos circulares sobrepostos na parede da faringe. Contraem-se em sequência (de cima para baixo) durante a deglutição, apertando a faringe e empurrando o bolo alimentar para o esôfago. O constritor superior fecha o nasofaringe, o médio empurra o alimento pela orofaringe e o inferior (cricofaríngeo) age como esfíncter esofágico superior.
  • Elevadores da Faringe (Estilofaríngeo, Salpingofaríngeo, Palatofaríngeo): Músculos verticais que elevam a laringe e faringe durante a deglutição e fala. O estilofaríngeo (do processo estiloide ao farínge) e o salpingofaríngeo (da tuba auditiva ao farínge) elevam e dilatam a faringe. O palatofaríngeo (do palato mole à faringe) também ajuda a puxar o palato para baixo e elevar a faringe. Juntos, eles alargam o caminho para receber o alimento e participam na equalização de pressões no ouvido médio via abertura da tuba auditiva (especialmente o salpingofaríngeo).

Músculos da Laringe (Intrínsecos)

Os músculos intrínsecos da laringe controlam as cartilagens laríngeas e a tensão das pregas vocais, regulando a voz e a respiração:

  • Cricotireóideo: Origina-se na frente da cartilagem cricóide e insere-se na cartilagem tireoide. Tenciona e alonga as pregas vocais ao inclinar a cartilagem tireoide para frente e baixo, afinando a voz (importante para ajustar a tonalidade).
  • Cricoaritenóideo Posterior: Liga a cartilagem cricóide aos aritenóides (posteriormente). Abduz (abre) as pregas vocais ao girar os aritenóides lateralmente – é o principal músculo que abre a rima glótica, permitindo a respiração livre.
  • Cricoaritenóideo Lateral: Origina nas porções laterais do arco cricóide até os aritenóides. Aduz (fecha parcialmente) as pregas vocais ao girar os aritenóides medialmente, ajudando na fonação (voz) ao estreitar a glote.
  • Aritenóideo (Transverso e Oblíquo): Conecta uma cartilagem aritenóide à outra. Aduz completamente as pregas vocais ao aproximar as cartilagens aritenóides, fechando a parte posterior da glote (como ao segurar a respiração ou produzir sons glotais).
  • Tireoaritenóideo (incluindo o músculo Vocal): Vai da cartilagem tireoide à aritenóide, paralelo à prega vocal (o feixe medial é chamado músculo vocal). Relaxa e aduz as pregas vocais, engrossando-as para sons graves. Ajustes finos pelo músculo vocal modulam a tensão das cordas vocais para alterar timbre e tom.
Músculos do Pescoço

Músculos do Pescoço

  • Platisma: (Descrito na seção de face) músculo superficial do pescoço, tenciona a pele do pescoço e auxilia a abaixar a mandíbula. Visível ao contrair fortemente o pescoço (por exemplo, fazendo expressão de esforço).
  • Esternocleidomastóideo (ECM): Músculo longo e robusto nas laterais do pescoço, indo do esterno e clavícula ao processo mastoide do crânio. Flexiona o pescoço bilateralmente (curvando a cabeça para frente) e, unilateralmente, roda a cabeça para o lado oposto e inclina lateralmente para o mesmo lado. É o músculo evidente que divide os triângulos anterior e posterior do pescoço. Quando você vira a cabeça à direita, por exemplo, o ECM esquerdo contrai e se destaca.
  • Escalenos (Anterior, Médio, Posterior): Trio de músculos profundos no pescoço lateral, conectando vértebras cervicais às primeiras duas costelas. Trabalham em conjunto para flexionar o pescoço (bilateralmente, inclinar para frente), inclinar lateralmente e levemente rodar o pescoço (unilateralmente). Também elevam as costelas 1 e 2 durante uma inspiração profunda, auxiliando a expansão torácica. O escaleno anterior e médio delimitam o hiato onde passa a artéria subclávia e plexo braquial.
  • Supra-hióideos (Digástrico, Estilo-hióideo, Milo-hióideo, Gênio-hióideo): Conjunto de músculos acima do osso hióide, formando o assoalho da boca. Elevam o osso hióide e a laringe durante a deglutição, ajudando a fechar a epiglote, e também participam dos movimentos da língua. O digástrico (do queixo e processo mastóide ao hióide) eleva o hióide e pode deprimir a mandíbula ao abaixar o queixo; o estilo-hióideo puxa o hióide posterosuperiormente; o milo-hióideo, em formato de “asoalho” da boca, eleva o hióide e pressiona a língua contra o palato; o gênio-hióideo eleva e avança o hióide ou puxa a mandíbula para baixo.
  • Infra-hióideos (Esterno-hióideo, Omo-hióideo, Esternotireóideo, Tireohióideo): Quatro músculos em forma de alça (“strap muscles”) situados na região anterior inferior do pescoço, abaixo do hióide. Deprimem o osso hióide e a laringe após a deglutição (puxando-os de volta para baixo). O esterno-hióideo vai do esterno ao hióide; o omo-hióideo tem dois ventres do ombro (escápula) ao hióide; o esternotireóideo conecta o esterno à cartilagem tireoide (maçã do rosto), puxando-a para baixo; já o tireo-hióideo liga cartilagem tireoide ao hióide – deprime o hióide mas também pode elevar a laringe (cartilagem tireoide) quando o hióide está fixo. Esses músculos ajudam a posicionar a laringe para modulação da voz (o tireo-hióideo, por exemplo, eleva ligeiramente a laringe para tons agudos, enquanto o esternotireóideo abaixa para tons graves).
  • Longo da Cabeça e Longo do Pescoço (Colo): Músculos profundos pré-vertebrais, localizados na frente da coluna cervical, desde a base do crânio (occipital) e primeiras vértebras cervicais até vértebras cervicais inferiores e primeiras torácicas. Flexionam a cabeça e o pescoço (inclinação anterior) e auxiliam em ligeira rotação e estabilização segmentar das vértebras cervicais.
  • Reto Anterior da Cabeça e Reto Lateral da Cabeça: Pequenos músculos curtos da região atlantoccipital. Conectam o atlas (C1) à base do crânio (occipital). Contribuem para flexão e estabilização da cabeça no atlas (reto anterior) e flexão lateral sutil (reto lateral). São importantes na postura da cabeça.
  • Músculos Suboccipitais (Reto Posterior Maior e Menor da Cabeça, Oblíquo Superior e Inferior da Cabeça): Pequenos músculos profundos na nuca, entre atlas/áxis e osso occipital. Estendem a cabeça (olhar para cima) e rotacionam a cabeça para o mesmo lado da contração, contribuindo para movimentos finos e propriocepção craniana. Por exemplo, os retos posteriores estendem a cabeça, enquanto os oblíquos ajudam na rotação e estabilização da junção craniocervical.
Músculos do Tronco

Músculos do Tronco

A região do tronco compreende o dorso (costas e coluna vertebral), o tórax (peito), o abdômen e a pelve/períneo. Esses músculos sustentam o eixo do corpo, permitem a postura ereta e realizam movimentos como flexão/extensão da coluna, inclinações, rotações do tronco e movimentos respiratórios. Também protegem órgãos internos e estabilizam o corpo durante esforços. A seguir, os principais músculos do tronco, organizados por sub-região:

Músculos do Dorso (Costas) – Camada Superficial e Profunda

Músculos do Dorso (Costas) – Camada Superficial e Profunda

  • Trapézio: Grande músculo triangular e superficial das costas, cobrindo a nuca e parte superior do dorso. Origina-se do osso occipital e processos espinhosos das vértebras cervicais e torácicas, inserindo na clavícula e escápula. Porção superior eleva a escápula (como no gesto de “dar de ombros”), porção média retrai (puxa para trás) as escápulas, e porção inferior deprime a escápula; atuando em conjunto, também rotaciona a escápula superiormente para permitir elevar o braço acima da cabeça. Além disso, quando os ombros estão fixos, o trapézio ajuda a estender o pescoço (inclinar a cabeça para trás).
  • Latíssimo do Dorso (Grande Dorsal): Músculo largo em forma de leque na região inferior das costas. Origina-se das vértebras T7 até sacro, crista ilíaca e costelas inferiores, inserindo-se no úmero (sulco intertubercular). Estende, aduz e rotaciona medialmente o braço (movimento de levar o braço para trás e para o centro, como ao dar uma braçada para nadar ou abaixar os braços de uma posição elevada). Também auxilia a elevar o tronco quando os braços estão fixos (como ao escalar).
  • Rombóide Maior e Menor: Músculos em forma de losango situados entre a coluna vertebral e a escápula, por baixo do trapézio. Originam-se dos processos espinhosos das vértebras (C7-T5) e inserem-se na borda medial da escápula. Puxam a escápula medialmente (retração) e ligeiramente para cima, fixando a escápula contra o tórax. Isso estabiliza a escápula durante movimentos do braço; quando se contrai, as “asas” do ombro aproximam-se (como ao encostar as omoplatas).
  • Levantador da Escápula (Elevador da Omoplata): Estende-se das vértebras cervicais superiores (C1-C4) ao ângulo superior da escápula. Eleva a escápula (daí o nome), como ao encolher os ombros, e inclina a escápula em direção à coluna. Com a escápula fixa, também auxilia na flexão lateral do pescoço para o mesmo lado (puxando a cabeça para o ombro).
  • Serrátil Posterior Superior: Músculo fino em forma de folha, situado na parte superior das costas, profundo ao trapézio. Origina nos processos espinhosos de vértebras cervicais/tórax (C7-T3) e insere-se nas costelas superiores (2–5). Eleva as costelas superiores, auxiliando na inspiração forçada ao expandir a caixa torácica.
  • Serrátil Posterior Inferior: Localiza-se na parte inferior do dorso, profundo ao latíssimo. Origina dos processos espinhosos de T11-L2 e insere-se nas últimas quatro costelas (9–12). Depressa (abaixa) as costelas inferiores, ajudando na expiração forçada ao reduzir o volume torácico. Também estabiliza as costelas contra a força ascendente do diafragma.
  • Esplênios (da Cabeça e do Pescoço): Camada superficial dos músculos profundos do pescoço/dorso alto. O esplênio da cabeça origina-se da linha média (ligamento da nuca, vértebras C7-T3) e insere-se no osso occipital e processo mastoide; o esplênio do pescoço origina T3-T6 e vai para processos transversos de C1-C3. Estendem a cabeça e pescoço (bilateralmente, olhando para cima) e, unilateralmente, flexionam lateralmente e rodam a cabeça para o mesmo lado. Contribuem para postura ereta da cabeça.
  • Eretor da Espinha (Massa Comum)Grupo Eretor da Espinha: Conjunto principal de músculos profundos ao longo da coluna, responsável por manter-nos eretos. Subdivide-se em três colunas paralelas:
    • Iliocostal (lateral),
    • Longuíssimo (intermediário) e
    • Espinal (medial).
    Esses músculos se estendem desde o sacro/ilíaco e vértebras lombares até as vértebras cervicais e crânio (nos casos do longuíssimo/espinal). Estendem a coluna vertebral (ereto) e controlam a flexão anterior do tronco (atuando excentricamente), além de promover flexão lateral e leve rotação. O eretor da espinha é o principal responsável por endireitar as costas após abaixarmos, mantendo a curvatura lombar normal.
  • Iliocostal: Porção lateral do eretor, com partes para as regiões lombar, torácica e cervical. Eleva e endireita a coluna, e auxilia na inclinação lateral.
  • Longuíssimo: Porção intermediária, também dividida em torácico, cervical e da cabeça. Além de extensão e flexão lateral da coluna, o longuíssimo da cabeça contribui para extensão e rotação ipsilateral da cabeça.
  • Espinal: Porção medial, junto aos processos espinhosos, também com segmentos torácico, cervical e (as vezes) da cabeça. Ajuda na extensão da coluna vertebral. Obs: Juntos, os eretores da espinha controlam grande parte da movimentação axial, mantendo o equilíbrio e a postura ereta.
  • Transversoespinhais (Grupo Transversospinal): Camada profunda de músculos posicionados entre os processos transversos e espinhosos das vértebras. Incluem:
    • Semiespinais (torácico, cervical, da cabeça): cruzam várias vértebras (4–6 segmentos). Estendem a coluna e a cabeça (semiespinal da cabeça) e promovem rotação contralateral do segmento afetado.
    • Multífidos: presentes ao longo de toda a coluna (mais espessos na região lombar). Cruzam 2–4 segmentos vertebrais. Estendem e estabilizam a coluna, auxiliando também em ligeira rotação contralateral e flexão lateral. São importantes estabilizadores segmentares, evitando movimentos excessivos.
    • Rotadores: músculos pequenos (curtos e longos) que conectam processos transversos à lâmina da vértebra imediatamente acima (curto) ou à segunda acima (longo). Presentes principalmente na coluna torácica. Estabilizam a coluna e têm papel proprioceptivo; podem contribuir para leves rotações locais.
    Função geral: Os transversoespinhais agem como afinadores finos da postura, estabilizando a coluna vertebral e auxiliando na extensão e rotações sutis. Por exemplo, os semiespinais mantêm a cabeça ereta e reta quando trabalhando bilateralmente, e giram a cabeça para o lado oposto quando unilateralmente.
  • Músculos Segmentares Menores: Interespinais (entre processos espinhosos adjacentes) e Intertransversários (entre processos transversos adjacentes). Conectam vértebra a vértebra vizinha. Estabilizam a coluna vertebral e assistem em pequenos movimentos de extensão (interespinais) ou inclinação lateral (intertransversários) em cada nível. Embora pequenos, têm abundantes fusos musculares para propriocepção – informando o cérebro sobre a posição exata de cada segmento vertebral.
  • Músculos Elevadores das Costelas (Levatores Costarum): 12 pares de pequenos músculos alongados, estendendo-se dos processos transversos das vértebras C7 a T11 até a costela imediatamente inferior (ou duas inferiores, nos casos dos levatores longos). Elevam as costelas durante a inspiração forçada, auxiliando na expansão do tórax, e podem contribuir para a inclinação lateral da coluna na região torácica.
Músculos do Tórax (Respiratórios e da Parede Torácica)

Músculos do Tórax (Respiratórios e da Parede Torácica)

  • Diafragma: Principal músculo da respiração, em forma de cúpula que separa a cavidade torácica da abdominal. Origina-se do esterno (processo xifoide), das seis costelas inferiores e das vértebras lombares superiores, inserindo-se em um tendão central. Ao contrair, o diafragma abaixa e aplaina a cúpula, aumentando o volume da caixa torácica e promovendo a inspiração (o ar entra nos pulmões). Quando relaxa, retorna à forma de cúpula elevada, reduzindo o volume torácico e causando expiração passiva. Além da função respiratória, participa ativamente em espirros, tosses e também auxilia no aumento de pressão abdominal em atos como defecação, micção e parto (através da manobra de Valsalva).
  • Intercostais Externos: 11 pares de músculos finos situados entre as costelas, na camada mais superficial (suas fibras orientam-se “como colocar as mãos nos bolsos”, de cima-lateral para baixo-medial). Elevam as costelas durante a inspiração – ao contraírem, expandem lateralmente e ântero-posteriormente a caixa torácica. São ativos especialmente na inspiração profunda ou vigorosa (por exemplo, durante exercício físico).
  • Intercostais Internos: 11 pares logo abaixo dos externos (fibras em direção oposta, de cima-medial para baixo-lateral). Depressam (baixam) as costelas durante a expiração forçada, reduzindo ativamente o diâmetro torácico. Atuam no sopro forçado, fala forte ou em expiração ativa, auxiliando a expulsar o ar.
  • Intercostais Íntimos (Intimos): Subgrupo das porções internas, situados na parte mais profunda do espaço intercostal, adjacentes à pleura. Têm orientação similar aos intercostais internos e ajudam a estabilizar as costelas e também na expiração forçada (função semelhante aos internos).
  • Músculos Subcostais: Pequenos feixes musculares localizados na face interna da parede torácica posterior (próximos aos ângulos das costelas). Cruzam uma ou duas costelas (origem em uma costela e inserção na costela 2 ou 3 abaixo). Auxiliam a deprimir as costelas e estabilizar os espaços intercostais, com função expiratória acessória.
  • Músculo Transverso do Tórax (Triangular do Esterno): Fino e em forma de leque, encontrado internamente na parede anterior do tórax. Origina-se na face interna do esterno e cartilagens costais, inserindo-se nas cartilagens costais do 2º ao 6º arco costal. Depressa levemente as costelas e cartilagens costais, contribuindo para a expiração forçada (puxa as paredes do tórax para dentro). Também tem função proprioceptiva.
  • Serrátil Anterior (Grande Dentado): Músculo em forma de “serrado” que cobre as costelas laterais. Origina-se pelas digitacões das primeiras 8–9 costelas e insere na borda medial da escápula (face anterior). Embora pertença funcionalmente à cintura escapular (movimenta a escápula), também atua na mecânica respiratória: protrai a escápula (desliza-a para frente ao redor das costelas, como no movimento de soco) e a fixa contra o gradil costal. Quando a escápula está estabilizada, o serrátil anterior pode auxiliar a elevar as costelas (auxílio na inspiração profunda). É essencial para evitar a escápula alada – seu paralisia causa deslocamento medial da escápula.
  • Peitoral Maior: (Embora seja músculo do membro superior, mencionado aqui pela localização no tórax) Largo músculo superficial do peito, origina-se da clavícula, esterno e cartilagens das costelas superiores, inserindo-se no úmero. Aduz e rota internamente o braço (movimento de abraçar ou fazer flexão de braço/“push-up”) e auxilia a elevar o tórax quando o braço está fixo (ação acessória na inspiração forçada).
  • Peitoral Menor: Músculo triangular profundo ao peitoral maior, vai das costelas 3–5 ao processo coracoide da escápula. Depressa a escápula (puxando-a para baixo e para frente, ajudando a estabilizar a escápula) e eleva as costelas 3–5 quando a escápula está fixa, auxiliando na inspiração forçada (ex.: postura de apoiar as mãos nos joelhos para respirar, fixando a cintura escapular e permitindo ao peitoral menor ajudar a expandir as costelas superiores).
  • Subclávio: Pequeno músculo situado sob a clavícula, unindo a 1ª costela à clavícula. Estabiliza a clavícula e a deprime durante movimentos do ombro, protegendo vasos subjacentes. Também pode auxiliar a elevar a 1ª costela discretamente.
Músculos do Abdômen (Parede Abdominal)

Músculos do Abdômen (Parede Abdominal)

  • Reto Abdominal: Par de músculos longitudinais que se estendem verticalmente ao longo do abdome anterior (popular “músculo do tanquinho”). Origina-se no púbis e insere-se nas cartilagens das costelas 5–7 e processo xifoide do esterno. Flexiona a coluna vertebral para frente (movimento de curvar o tronco, como em abdominais) e comprime o abdômen, auxiliando na expiração forçada e aumentando a pressão intra-abdominal (para evacuação, parto etc.). Apresenta intersecções tendíneas que segmentam o músculo.
  • Oblíquo Externo do Abdome: Camada mais superficial lateral do abdome. Fibras descem obliquamente da lateral para medial/inferior (“mãos nos bolsos”), originando nas costelas 5–12 e inserindo na crista ilíaca e linha alba via aponeurose. Roda o tronco para o lado oposto (contração unilateral) e flexiona o tronco para frente (bilateralmente, auxilia o reto abdominal). Também ajuda na flexão lateral para o mesmo lado e comprime o conteúdo abdominal.
  • Oblíquo Interno do Abdome: Situado sob o oblíquo externo, fibras em direção oposta (de inferior-lateral para superior-medial, “mãos no peito”). Origina na crista ilíaca e ligamento inguinal, inserindo nas costelas 10–12 e linha alba. Roda o tronco para o mesmo lado (unilateral) e auxilia na flexão e flexão lateral do tronco. Junto com o oblíquo externo do lado oposto, forma um par contralateral para rotação do tronco. Também comprime vísceras abdominal, semelhante ao externo.
  • Transverso do Abdome: Camada muscular mais profunda da parede abdominal lateral, com fibras orientadas horizontalmente (transversais). Origina-se nas costelas inferiores, crista ilíaca e ligamento inguinal, inserindo na linha alba. Comprime firmemente o abdômen, aumentando a pressão intra-abdominal (por exemplo, na expiração forçada, tosse, defecação etc.). É um importante estabilizador do tronco e da coluna (ativo em manobras de força, como levantamento de peso, para proteger a coluna).
  • Músculo Piramidal: Pequeno músculo triangular presente em ~80% das pessoas, localizado na parte inferior do reto abdominal, dentro da bainha do reto. Vai do púbis à linha alba. Tensiona a linha alba, mantendo-a reta e estável. Função menor, podendo estar ausente sem prejuízo funcional.
  • Quadrado Lombar: Músculo robusto da parede posterior do abdome, entre crista ilíaca e 12ª costela e vértebras lombares. Inclina lateralmente a coluna lombar (flexão lateral do tronco) e, bilateralmente, ajuda a estender a região lombar. Também fixa a 12ª costela durante a respiração forçada, estabilizando o diafragma. Na marcha, o quadrado lombar pode elevar um lado da pelve (ação do “quadril” na marcha).
  • Psoas Maior: Músculo longo que origina nas vértebras T12–L5 e desce através do abdome até o fêmur (trocânter menor) onde se une ao músculo ilíaco. Embora seja considerado músculo do quadril (ver membros inferiores), forma parte da parede posterior do abdome. Flexiona o quadril (principal flexor da coxa) e pode auxiliar a flexionar a coluna lombar quando os membros inferiores estão fixos (como elevar o tronco estando deitado).
  • Psoas Menor: Pequeno músculo inconstante (ausente em parte da população) que corre sobre o psoas maior, de T12-L1 ao púbis. Flexiona fracamente a coluna lombar (auxiliar).
  • Ilíaco: Ocupa a fossa ilíaca do osso do quadril, unindo-se ao psoas maior para formar o tendão do iliopsoas no fêmur. Atua com o psoas para flexionar o quadril (elevar a coxa ou tronco) e estabilizar a articulação do quadril.
Músculos do Assoalho Pélvico e Períneo

Músculos do Assoalho Pélvico e Períneo

O assoalho pélvico consiste nos músculos que fecham inferiormente a pelve, sustentando os órgãos pélvicos. O períneo, por sua vez, é a região entre o púbis e o cóccix (dividida em triângulo urogenital anterior e triângulo anal posterior), contendo músculos superficiais e profundos que controlam esfíncteres e funções sexuais. Principais músculos:

  • Elevador do Ânus (Diafragma Pélvico): Principal componente do assoalho pélvico, composto por três feixes: pubococcígeo, puborretal e iliococcígeo. Estende-se do púbis e parede lateral da pelve até o cóccix e sacro, formando uma “taça” muscular que suporta órgãos como bexiga, útero e reto. Sustenta e eleva os órgãos pélvicos, contribuindo para a continência urinária e fecal, e controla a abertura anal ao formar um laço em torno do reto (porção puborretal). Durante esforços (tosse, espirro) contrai-se tônicamente para estabilizar vísceras e prevenir prolapsos.
  • Coccígeo (Isquiococcígeo): Pequeno músculo triangular situado atrás do elevador do ânus, do ísquio ao cóccix e sacro inferior. Auxilia o elevador do ânus na sustentação do assoalho pélvico e flexiona ligeiramente o cóccix (como ao retornar do movimento de defecação). Juntos, elevador do ânus + coccígeo formam o diafragma pélvico.
  • Esfíncter Externo do Ânus: Músculo circular voluntário que envolve o canal anal. Mantém o canal anal fechado (contraído tônicamente para continência fecal) e relaxa durante a defecação. É inervado somaticamente (nervo pudendo) permitindo controle consciente da evacuação.
  • Esfíncter Externo da Uretra: Músculo do períneo profundo, rodeando a uretra (e vagina, nas mulheres). Controle voluntário da micção – ao contrair, mantém a urina retida; relaxamento permite urinar. Nos homens, também ajuda a bombear o sêmen durante a ejaculação. (É parte do chamado músculo compressor da uretra e esfíncter uretrovaginal em algumas descrições).
  • Transverso Superficial do Períneo: Vai da tuberosidade isquiática ao centro tendíneo do períneo (corpo perineal). Estabiliza o corpo perineal, formando uma base para a fixação de outros músculos perineais, e auxilia a sustentar ligeiramente os órgãos pélvicos.
  • Transverso Profundo do Períneo: Situado na camada profunda (diafragma urogenital), estende-se entre os ramos isquiopúbicos, sustentando o assoalho pélvico anterior. Suporta as estruturas pélvicas e ajuda a fixar o corpo perineal, contribuindo para a estabilidade do trígono urogenital (onde estão uretra e, na mulher, vagina).
  • Bulbospongioso (Bulboesponjoso): Em homens, envolve a base do pênis (bulbo do pênis); nas mulheres, circunda a abertura vaginal e o bulbo do vestíbulo. Contribui para funções sexuais e urinárias: ajuda na ejaculação e esvaziamento da uretra masculina, contraindo para expelir o sêmen/urina residual; auxilia a ereção, comprimindo o bulbo peniano e aumentando a pressão sanguínea local. Na mulher, o bulbospongioso contrai-se durante o orgasmo, constritando a vagina e promovendo o prazer, além de ajudar na ereção do clitóris. Também exerce leve compressão venosa contribuindo para a manutenção da turgidez erétil e pode auxiliar na continência urinária.
  • Isquiocavernoso: Origina-se na tuberosidade isquiática e ramo do ísquio, envolvendo os pilares do pênis (no homem) ou do clitóris (na mulher). Mantém a ereção ao comprimir os pilares e as veias, diminuindo o retorno venoso do sangue dos corpos cavernosos. Isso ajuda a manter a rigidez do pênis ou clitóris durante a excitação sexual. Nos homens, também estabiliza o pênis ereto; nas mulheres, auxilia a ereção do clitóris e contrai reflexamente no orgasmo.
  • Esfíncter Uretrovaginal: (Em mulheres, parte do complexo perineal profundo) um feixe muscular que rodeia conjuntamente a uretra e a vagina. Contribui para a continência urinária e também pode contraer-se durante o orgasmo, diminuindo o diâmetro vaginal.
  • Elevador da Próstata / Pubovesical: (Termos às vezes usados para fibras especializadas do elevador do ânus em homens/mulheres) – ajudam a elevar e suportar próstata ou parede anterior vaginal, respectivamente, mas não são músculos separados verdadeiros e sim partes do pubococcígeo.

Função em conjunto: Os músculos do assoalho pélvico mantêm os órgãos pélvicos em posição (bexiga, reto e, nas mulheres, útero), prevenindo prolapsos, e resistem ao aumento de pressão abdominal (tosse, esforço). Eles garantem continência urinária e fecal por contração reflexa e voluntária dos esfíncteres. Durante o parto, precisam alongar e relaxar para permitir a passagem do bebê pelo canal vaginal; já no orgasmo, contraem ritmicamente, contribuindo para a sensação de prazer.

Membros Superiores

Os músculos dos membros superiores compreendem desde a cintura escapular (ombros) até a mão. Eles controlam os movimentos do braço, antebraço, punho e dedos, permitindo grande destreza manual. Podemos agrupá-los em: músculos da cintura escapular (posicionam a escápula e clavícula), músculos do braço que movem o ombro (articulação glenoumeral) ou cotovelo, músculos do antebraço (movimentam o cotovelo, punho e dedos) e músculos intrínsecos da mão.

Cintura Escapular (Ombro) – Músculos Axioescapulares e Axioscapulares

Cintura Escapular (Ombro) – Músculos Axioescapulares e Axioscapulares

  • Trapézio: (Já descrito em tronco.) Atua também na cintura escapular: elevação, depressão, retração e rotação superior da escápula, permitindo o posicionamento do ombro para movimentos amplos do braço.
  • Rombóides Maior e Menor: (Já descritos.) Retraem e rotacionam inferiormente a escápula, estabilizando-a contra o tórax.
  • Levantador da Escápula: (Descrito no dorso.) Eleva a escápula (ombro) e inclina sua borda medial para cima; contribui ao encolher os ombros e na postura do pescoço.
  • Serrátil Anterior: (Descrito no tórax.) Protrai a escápula para frente (movimento de alcance e “soco”) e a mantém aplicada às costelas (prevenindo escápula alada). Permite empurrar objetos e auxilia na rotação superior da escápula ao elevar o braço acima da cabeça.
  • Peitoral Menor: (Descrito no tórax.) Deprime e bascula a escápula para baixo e para frente, ajudando em movimentos de abaixar o ombro e alcançar algo para baixo das costas; também eleva as costelas se a escápula estiver fixa.
  • Subclávio: (Descrito no tórax.) Estabiliza a clavícula na articulação esternoclavicular e limita sua elevação excessiva.

Músculos que Movem o Braço (Articulação do Ombro)

  • Peitoral Maior: (Descrito no tórax.) Principal músculo peitoral, realiza a adução e rotação interna do braço (como abraçar ou dar um soco para frente) e auxilia na flexão do ombro (levantando o braço à frente do corpo). Ex.: ao fazer flexão de braço no solo, o peitoral maior é fortemente ativado.
  • Latíssimo do Dorso: (Descrito no tronco.) Principal extensor e adutor do braço para trás e medialmente (puxar algo de cima para baixo, remar, etc.). Junto com o peitoral maior, forma as paredes da axila e é responsável por movimentos de potência, como nadar crawl ou fazer barras fixas.
  • Deltóide: Músculo grosso e triangular que cobre a articulação do ombro (a “capinha” do ombro). Origina na clavícula e espinha da escápula, inserindo na face lateral do úmero (tuberosidade deltóide). Porção anterior flexiona e roda medialmente o braço; porção média abduz o braço (eleva lateralmente, sendo o principal abdutor do ombro além dos 15° iniciais); porção posterior estende e roda lateralmente o braço. Em conjunto, o deltóide permite levantar o braço em todas direções, sendo fundamental para movimentos de levantar objetos acima da cabeça.
  • Coracobraquial: Músculo delgado que vai do processo coracoide da escápula até o terço médio do úmero, na face interna. Flete e aduz o braço no ombro, auxiliando a levantar o braço para frente e trazê-lo medialmente junto ao tronco (como ao segurar algo contra o peito).
  • Teres Maior (Redondo Maior): Músculo grosso arredondado que origina no ângulo inferior da escápula e insere no úmero (lábio medial do sulco intertubercular). Estende, aduz e roda internamente o braço – similar em ação ao latíssimo do dorso, com quem frequentemente colabora. É ativo ao abaixar o braço elevado ou puxar algo para baixo e para trás.
  • Manguito Rotador (Coifa dos Rotadores): Conjunto de quatro músculos profundos do ombro que estabilizam a articulação glenoumeral e promovem rotações do braço:
    • Supraespinal (Supraespinhal): Situado na fossa supraespinhal da escápula, passando sob o acrômio para inserir no tubérculo maior do úmero. Abduz o braço nos primeiros ~15° (inicia a elevação lateral do braço) e estabiliza a cabeça do úmero no encaixe. É essencial para iniciar o movimento que o deltóide continuará.
    • Infraespinal (Infraespinhal): Ocupa a fossa infraespinhal (posterior da escápula) e insere no tubérculo maior do úmero (face posterior). Roda lateralmente (externamente) o braço e contribui para a estabilização posterior da articulação do ombro.
    • Teres Menor (Redondo Menor): Localiza-se adjacente ao infraespinal (borda lateral da escápula até tubérculo maior). Roda lateralmente o braço, auxiliando o infraespinal, e também age como um adutor fraco do braço. É o menor membro do manguito, mas igualmente importante na estabilidade.
    • Subescapular: Músculo largo na face anterior (ventral) da escápula, preenchendo a fossa subescapular e inserindo no tubérculo menor do úmero. Roda medialmente (internamente) o braço (o principal rotador interno do ombro) e ajuda a aduzi-lo. Forma a parede posterior da axila. Também estabiliza anteriormente a cabeça do úmero, evitando deslocamentos anteriores.
    Juntos, os músculos do manguito rotador mantêm a cabeça do úmero centralizada na cavidade glenoide durante os movimentos, prevenindo lesões e luxações*. Eles atuam constantemente de forma coordenada: por exemplo, ao levantar o braço, o supraespinal inicia o movimento, o deltóide completa, enquanto subescapular, infraespinal e redondo menor contra-atuam para centralizar a articulação. Lesões no manguito resultam em dor e dificuldade de movimentar o ombro (como na síndrome do impacto ou ruptura do supraespinal).*
Braço – Músculos do Compartimento Anterior e Posterior

Braço – Músculos do Compartimento Anterior e Posterior

  • Bíceps Braquial: Músculo de dois ventres (“cabeça longa” e “cabeça curta”) na face anterior do braço. Origina-se da escápula (tubérculo supraglenoidal e processo coracoide) e insere no rádio (tuberosidade radial) e fáscia do antebraço. Flexiona o cotovelo (dobra o braço) e também supina o antebraço (gira a palma para cima) – é o principal supinador quando o cotovelo está flexionado. Ao pegar peso com a mão em posição de supinação (palma para cima), o bíceps é fortemente ativado. Também auxilia a flexão do ombro em menor grau.
  • Braquial: Localizado profundamente sob o bíceps, origina na face anterior do úmero (metade distal) e insere na ulna (tuberosidade ulnar e processo coronóide). É o principal flexor do cotovelo em todas as posições do antebraço. Fornece a força base para dobrar o braço, especialmente com o antebraço pronado (palma para baixo, onde o bíceps tem menos vantagem).
  • Coracobraquial: (Já citado acima.) Flexiona e aduz o braço no ombro, auxiliando movimentos como segurar objetos contra o tronco. Ajuda também a estabilizar a cabeça do úmero na articulação quando carregamos peso.
  • Tríceps Braquial: Músculo de três cabeças na região posterior do braço. Cabeça longa origina-se na escápula (tubérculo infraglenoidal), cabeças lateral e medial no úmero; todas convergem num tendão comum que se insere no olecrano da ulna. Estende o cotovelo (endireita o braço) – é o principal extensor do antebraço. A cabeça longa também auxilia na extensão e adução do ombro. O tríceps é ativado em movimentos de empurrar (ex: fazer fundos paralelos ou arremessar algo longe).
  • Ancônio: Pequeno músculo triangular ao lado do cotovelo, da face posterior do epicôndilo lateral do úmero até a parte proximal da ulna. Assiste o tríceps na extensão do cotovelo e estabiliza a articulação do cotovelo, especialmente durante rotação do antebraço. Também pode ajudar a tensionar a cápsula articular para evitar pinçamento.
Antebraço – Músculos Flexores e Pronadores (Compartimento Anterior)

Antebraço – Músculos Flexores e Pronadores (Compartimento Anterior)

Os músculos anteriores do antebraço originam-se em sua maioria no epicôndilo medial do úmero (origem comum dos flexores) e estruturas adjacentes, estendendo-se pelo antebraço até punho e dedos. São responsáveis pela flexão do punho e dedos e pela pronação. Da camada superficial à profunda, incluem:

  • Pronador Redondo: Origina-se no epicôndilo medial do úmero e processo coronóide da ulna, inserindo no rádio (face lateral média). Prona o antebraço (gira a palma para baixo) e auxilia na flexão fraca do cotovelo. Atua no início da pronação rápida ou contra resistência.
  • Flexor Radial do Carpo: Estende-se do epicôndilo medial até a base do 2º e 3º metacarpos (face anterior). Flexiona o punho e realiza desvio radial (abdução do punho, inclinando-o para o lado do polegar). Ativo em movimentos como fazer rosca de punho ou segurar firmemente algo com flexão do pulso.
  • Palmar Longo: Músculo fino com um longo tendão que vai ao centro da palma, inserindo na aponeurose palmar. Flexiona fracamente o punho e tensiona a fáscia palmar. Está ausente em parte da população (~15%) sem perda significativa de função.
  • Flexor Ulnar do Carpo: Desde o epicôndilo medial (e olécrano) até o pisiforme, hamato e base do 5º metacarpo. Flexiona o punho e faz desvio ulnar (adução do punho, inclinando-o para o lado do dedo mínimo). Importante para força de preensão em punho neutro.
  • Flexor Superficial dos Dedos (Flexor Digitorum Superficialis): Origina-se do epicôndilo medial, processo coronóide da ulna e face anterior do rádio; divide-se em quatro tendões que passam pelo túnel do carpo e inserem-se nas falanges médias dos dedos 2–5. Flexiona as articulações dos dedos médios (articulações interfalângicas proximais) e auxilia na flexão do punho. Permite fechar parcialmente a mão (como ao segurar um objeto não muito pequeno).
  • Flexor Profundo dos Dedos (Flexor Digitorum Profundus): Origina na ulna proximal e membrana interóssea, corre profundo ao superficial e envia quatro tendões que passam até as falanges distais dos dedos 2–5. Flexiona as pontas dos dedos nas articulações interfalângicas distais, além de ajudar a flexionar as falanges médias e o punho. É o músculo que permite uma aperto completo do punho (fechar totalmente a mão).
  • Flexor Longo do Polegar: Origina na face anterior do rádio e membrana interóssea, inserindo na falange distal do polegar. Flexiona o polegar (tanto na articulação interfalângica quanto metacarpofalângica), permitindo o gesto de pinça forte com o indicador.
  • Pronador Quadrado: Músculo quadrangular profundo, localizado próximo ao punho, entre a ulna distal e o rádio distal. Prona o antebraço (é o principal pronador, especialmente quando o movimento é lento e sem resistência, mantendo a posição prona). Age em sinergia com o pronador redondo para rotação completa.

Antebraço – Músculos Extensores e Supinadores (Compartimento Posterior)

Os músculos posteriores do antebraço geralmente originam-se do epicôndilo lateral do úmero (origem comum dos extensores) e desempenham extensão do punho e dedos, além de supinação. Da camada superficial à profunda:

  • Braquiorradial: Embora localizado no compartimento posterior, funcionalmente é flexor do cotovelo. Origina acima do epicôndilo lateral do úmero e insere-se no rádio distal (estiloide). Flexiona o cotovelo especialmente em posição neutra do antebraço (polegar apontando para cima), como ao segurar um martelo. É visível na borda lateral do antebraço.
  • Extensor Radial Longo do Carpo: Origina na crista supracondilar lateral do úmero e insere na base do 2º metacarpo (dorso). Estende o punho e faz desvio radial (abdução). Importante em movimentos de levantar o dorso da mão ou desferir um tapa com dorso da mão.
  • Extensor Radial Curto do Carpo: Origina no epicôndilo lateral, insere na base do 3º metacarpo. Estende e abduz o punho similar ao longo, mas com menor vantagem mecânica.
  • Extensor dos Dedos (Extensor Digitorum): Origina no epicôndilo lateral e se divide em quatro tendões que vão para os dedos 2–5 (via dorso da mão). Estende os dedos das mãos em todas as articulações (metacarpofalângicas e interfalângicas) e auxilia a estender o punho. Permite abrir a mão e esticar os dedos (ex: gesto de “pare”).
  • Extensor do Dedo Mínimo (Extensor Digiti Minimi): É essencialmente uma parte especializada do extensor dos dedos para o dedo mínimo. Origina junto com o extensor comum, mas seu tendão vai para o 5º dedo. Estende o dedo mínimo (permitindo levantá-lo separadamente, como ao beber chá de forma afetada) e auxilia na extensão geral do punho.
  • Extensor Ulnar do Carpo: Origina do epicôndilo lateral e borda da ulna, inserindo na base do 5º metacarpo (lado dorsal). Estende o punho e faz desvio ulnar (adução). Ajuda em movimentos que requeiram apontar a mão para baixo e medialmente (como golpear de karatê com a lateral da mão).
  • Supinador: Músculo profundo envolvido ao redor da parte superior do rádio, originando no epicôndilo lateral do úmero e ulna proximal, inserindo no rádio proximal. Supina o antebraço – gira a palma para cima (especialmente quando o cotovelo está estendido ou sem carga pesada). Atua junto com o bíceps braquial para a supinação (o bíceps é mais forte, mas requer cotovelo flexionado).
  • Extensor Longo do Polegar: Origina na ulna média e membrana interóssea, passa pelo chamado tubérculo de Lister do rádio e insere na falange distal do polegar. Estende o polegar na articulação interfalângica e metacarpofalângica – responsável por endireitar completamente o dedão (faz o movimento de “joinha” para cima).
  • Extensor Curto do Polegar: Origina no rádio distal e membrana interóssea, insere na base da falange proximal do polegar. Estende o polegar na articulação metacarpofalângica (e auxilia na carpometacarpal), esticando o dedão até a posição de “polegar pra cima”.
  • Abdutor Longo do Polegar: Origina na ulna, rádio e membrana interóssea proximais, inserindo na base do 1º metacarpo. Abduz o polegar (move o dedão para fora, perpendicular à palma) e auxilia em sua extensão. É visível ao fazer um “L” com o polegar e indicador.
  • Extensor do Indicador (Extensor Indicis): Origina na ulna distal e membrana interóssea, insere-se juntando ao tendão do extensor dos dedos para o dedo indicador. Estende especificamente o dedo indicador, permitindo apontar com ele enquanto os demais dedos podem estar flexionados. Também auxilia na extensão do punho.

Nota: Os tendões dos extensores no dorso da mão formam expansões extensoras (capuzes dorsais) sobre os dedos. Pequenos músculos intrínsecos da mão (lumbricais e interósseos) se inserem nesses capuzes para auxiliar na extensão dos dedos nas articulações interfalângicas, mesmo enquanto flexionam os dedos nos metacarpos.

Mão – Músculos Intrínsecos (Região Tenar, Hipotenar e Compartimento Central)

Mão – Músculos Intrínsecos (Região Tenar, Hipotenar e Compartimento Central)

Embora a maioria dos movimentos brutos da mão venha dos músculos do antebraço, a mão possui pequenos músculos intrínsecos que permitem movimentos finos dos dedos e polegar, como oposicão e coordenação para escrita, pegar objetos pequenos, etc. São divididos em grupos:

  • Eminência Tenar (Músculos do Polegar): Formam a “almofada” muscular na base do polegar, responsáveis pelos movimentos refinados do polegar:
    • Abdutor Curto do Polegar: Origina no escafóide e retináculo flexor, inserindo na base da falange proximal do polegar. Abduz o polegar (afasta o dedão da palma, em ângulo reto, como no gesto de pegar algo) e ajuda na oposição inicial.
    • Flexor Curto do Polegar: Tem duas cabeças (superficial e profunda) do retináculo flexor e ossos trapézio/trapezoide, inserindo na falange proximal do polegar. Flexiona o polegar na articulação metacarpofalângica (curva o dedão, como no gesto de agarrar) e auxilia na oposição.
    • Oponente do Polegar: Profundo, origina do trapézio e retináculo flexor, inserindo no 1º metacarpo. Oponde o polegar – puxa e roda o 1º metacarpo medialmente, permitindo que a polpa do polegar toque a dos outros dedos (movimento essencial para pinça fina).
    • Adutor do Polegar: Possui cabeça oblíqua (do capitato e metacarpos adjacentes) e cabeça transversa (do 3º metacarpo), inserindo na base da falange proximal do polegar. Aduz o polegar (traz de volta contra o indicador, como ao segurar uma chave) e contribui para a força de pinça. É fundamental para apertar firmemente objetos entre o polegar e o lado radial do indicador.
  • Eminência Hipotenar (Músculos do Dedo Mínimo): Formam a elevação muscular na base do dedo mínimo (lado ulnar da palma):
    • Abdutor do Dedo Mínimo: Origina no pisiforme, inserindo na base da falange proximal do 5º dedo. Abduz o dedo mínimo (afasta o mindinho do anular, como ao abrir a mão) e auxilia na flexão do dedo mínimo na articulação do dedo.
    • Flexor Curto do Dedo Mínimo: Origina no hâmulo do hamato e retináculo flexor, insere na base da falange proximal do 5º dedo. Flexiona o dedo mínimo na articulação metacarpofalângica (dobra o mindinho).
    • Oponente do Dedo Mínimo: Origina no hamato e retináculo flexor, insere ao longo do 5º metacarpo. Oponde o dedo mínimo – puxa e roda levemente o 5º metacarpo para que o dedo mínimo possa tocar o polegar ou aprofundar a concavidade da palma. Ajuda a encurtar a palma ao fechar a mão em concha.
  • Lumbricais da Mão: Quatro músculos delgados, originando dos tendões do flexor profundo dos dedos na palma (nos dedos 2–5) e inserindo nas expansões extensoras dorsais dos dedos correspondentes. Flexionam os dedos nas articulações metacarpofalângicas e simultaneamente estendem as articulações interfalângicas (ação de fazer um “L” com os dedos). Essa ação combinada permite posição de escrever ou segurar um prato plano. Os lumbricais ajudam a equilibrar as forças de flexores e extensores, contribuindo para o movimento suave dos dedos e o posicionamento em pinça. (Curiosidade: dois lumbricais laterais são inervados pelo nervo mediano e dois mediais pelo nervo ulnar).
  • Interósseos Palmares (3) e Dorsais (4): Músculos situados entre os ossos metacarpais:
    • Interósseos Palmares (três músculos): Originam em metacarpos específicos (índice – lado medial; anular e mínimo – lado lateral) e inserem nas expansões dos dedos 2, 4 e 5. Aduzem os dedos em direção ao dedo médio (movimento de fechar os dedos um contra o outro – PAD: Palmar ADuz). Por exemplo, aproximam o indicador do dedo médio, o anular do médio, e o mínimo do anular. Também auxiliam na flexão das articulações metacarpofalângicas e extensão das interfalângicas junto com os lumbricais.
    • Interósseos Dorsais (quatro músculos): Originam entre os metacarpos adjacentes de todos os espaços (exceto entre polegar e indicador), inserindo nas expansões dos dedos 2, 3 e 4. Abduzem os dedos em relação ao dedo médio (afastam os dedos uns dos outros – DAB: Dorsal ABduz). O dedo médio tem dois interósseos dorsais, podendo abduzir para ambos os lados. Assim como os palmares, também flexionam as articulações dos nós proximais e estendem as distais, colaborando para movimentos complexos dos dedos.
    Ambos os grupos interósseos são inervados pelo nervo ulnar e fornecem controle fino de movimentos digitais, como ajustar a pressão dos dedos ao segurar objetos delicados. Por exemplo, apertar ou afrouxar a pegada de um copo sem quebrá-lo envolve interósseos modulando a abertura entre os dedos e a força na preensão.
  • Músculo Palmar Curto (Palmaris Brevis): Músculo cutâneo pequeno na região hipotenar (palma medial), não mencionado frequentemente, mas que ruga a pele da palma ao contrair (melhora a pegada e protege vasos ulnar superficiais). Apesar de menor importância funcional, completa a lista dos intrínsecos palmares.

Membros Inferiores

Os membros inferiores incluem a cintura pélvica (quadril), a coxa, a perna e o . Seus músculos maiores suportam o peso do corpo, permitem locomoção (andar, correr, pular) e movimentos poderosos, enquanto músculos menores do pé ajustam a postura e equilibram. A seguir, uma lista dos músculos dos membros inferiores por região:

Quadril e Nádegas (Região Glútea)

Quadril e Nádegas (Região Glútea)

  • Glúteo Máximo: O maior e mais superficial músculo das nádegas. Origina-se no ilio (nádega posterior), sacro e cóccix, inserindo-se no fêmur (tratos glúteo e banda iliotibial). Principal extensor do quadril – permite endireitar a coxa desde posição sentada ou inclinada (subir escadas, levantar de agachamento) – e rota lateralmente o fêmur. Também contribui para a estabilidade do joelho via trato iliotibial. É o músculo responsável pela forma arredondada das nádegas e é fortemente ativado em atividades como corrida, salto e levantamento de peso.
  • Glúteo Médio: Localizado parcialmente sob o glúteo máximo, da asa do ílio ao trocânter maior do fêmur. Abduz o quadril (afasta a perna lateralmente) e rota medialmente a coxa (fibras anteriores). É fundamental para estabilizar a pelve na marcha – quando estamos apoiados em uma perna, o glúteo médio dessa perna contrai para evitar que a pelve penda para o lado oposto. Fraqueza nesse músculo causa a marcha Trendelemburg (queda do quadril).
  • Glúteo Mínimo: Menor dos glúteos, profundo ao glúteo médio, com ações semelhantes. Origina no ílio e insere no trocânter maior. Abduz e roda medialmente a coxa, auxiliando o glúteo médio. Também participa da estabilização pélvica na marcha.
  • Tensor da Fáscia Lata (TFL): Pequeno músculo na face lateral do quadril, da crista ilíaca anterior ao trato iliotibial (faixa fibrosa que segue até a tíbia). Tensiona a fáscia lata e estabiliza o joelho em extensão; também flete, abduz e roda medialmente o quadril levemente. Ativo durante atividades como correr (mantém o joelho alinhado quando a perna aterrissa) e ao equilibrar-se em um pé só.
  • Rotadores Laterais Curtos: Grupo de músculos profundos abaixo do glúteo máximo, que vão do sacro ou pelve ao fêmur, rotando externamente o quadril:
    • Piriforme: Do sacro (face anterior) ao trocânter maior. Roda lateralmente a coxa e também ajuda na abdução quando o quadril está flexionado. O piriforme serve de ponto de referência anatômico – o nervo ciático normalmente passa abaixo dele (síndrome do piriforme ocorre se o músculo comprime o nervo).
    • Obturador Interno: Origina ao redor do forame obturatório interno (superfície interna da pelve) e insere no trocânter maior. Roda lateralmente o fêmur; com a coxa flexionada, auxilia abdução.
    • Obturador Externo: Da margem externa do forame obturado (pubis/ísquio) até a fossa trocantérica do fêmur. Roda lateralmente o quadril e ajuda a estabilizar a cabeça femoral.
    • Gêmeo Superior e Gêmeo Inferior: Pequenos músculos “gêmeos” acima e abaixo do tendão do obturador interno, indo do ísquio ao trocânter maior. Rotadores laterais do fêmur que auxiliam o obturador interno.
    • Quadrado Femoral: Músculo quadrangular forte, vai da tuberosidade isquiática ao intertrocantérico do fêmur. Roda lateralmente a coxa e auxilia ligeiramente na adução. Atua como estabilizador da articulação do quadril.
    Em conjunto, esses rotadores curtos externos permitem girar o pé para fora (como em posição de “de primeira” no balé) e estabilizam a articulação do quadril durante movimentos de carga.
  • Iliopsoas (Psoas Maior + Ilíaco): Embora em parte localizado no abdome, é o principal flexor do quadril. O psoas maior origina da coluna lombar e o ilíaco da fossa ilíaca, fundindo-se para inserir no trocânter menor do fêmur. Flete a coxa no quadril (levanta a perna para frente, como ao subir um degrau) ou, se as pernas estão fixas, flexiona o tronco para frente (como levantar o tronco de deitado). Também contribui para a manutenção da curvatura lombar e estabilização da pelve. O psoas menor (quando presente) é um flexor vestigial fraco da coluna lombar.
  • Pectíneo: Músculo plano no trígono femoral, do púbis à linha pectínea do fêmur. Aduz e flete a coxa (traz a perna para o centro e ligeiramente para frente). Como um híbrido de compartimentos anterior e medial, é inervado frequentemente por dois nervos (femoral e obturador). Ajuda em movimentos de cruzar as pernas e estabiliza a articulação do quadril.
  • Adutor Longo: Grande músculo medial da coxa, origina-se no púbis (próximo da sínfise) e insere na linha áspera do fêmur (terço médio). Aduz a coxa (aproxima as pernas) e auxilia na flexão do quadril. Ativo ao fechar as coxas e equilibrar numa perna só.
  • Adutor Curto: Localizado atrás do adutor longo, do púbis ao fêmur proximal (linha áspera parte proximal). Aduz a coxa e ajuda discretamente na flexão do quadril.
  • Adutor Magno: O maior e mais profundo dos adutores, em forma de leque, do púbis e ísquio (incluindo tuberosidade isquiática) até quase toda a extensão da linha áspera e tubérculo do adutor no fêmur distal. Aduz poderosamente a coxa; sua porção anterior auxilia na flexão e rotação medial da coxa, enquanto a porção posterior (isquiotibial) ajuda na extensão do quadril. Possui um hiato (hiato do adutor) por onde passam vasos femorais para a fossa poplítea. É crucial para movimentos de apertar objetos entre as coxas e estabilizar o corpo lateralmente.
  • Grácil: Músculo delgado e alongado, mais medial da coxa, do púbis à parte proximal medial da tíbia (pata de ganso). Aduz a coxa no quadril e flete o joelho, além de girar medialmente a perna flexionada. Embora relativamente fraco, auxilia na estabilização medial do joelho e na coordenação de movimentos entre quadril e joelho (ex.: ao agachar).
  • Sartório: O músculo mais longo do corpo, em fita diagonal na coxa anterior, indo da espinha ilíaca antero-superior até a pata de ganso na tíbia medial. Realiza a clássica posição de “sentar de perna cruzada”: flete o quadril, abduz a coxa e roda lateralmente o fêmur, enquanto também flete o joelho e roda medialmente a perna (quando o joelho está flexionado). Por isso é chamado “músculo do alfaiate” (posição de alfaiate ao sentar). Apesar de não ser muito forte isoladamente, ajuda nesses movimentos combinados e estabiliza o joelho medialmente.
Coxa – Músculos do Compartimento Anterior (Extensores do Joelho) e Posterior (Flexores do Joelho)

Coxa – Músculos do Compartimento Anterior (Extensores do Joelho) e Posterior (Flexores do Joelho)

  • Quadríceps Femorais: Grupo de quatro músculos na coxa anterior que convergem no tendão patelar para se inserir na tíbia (tuberosidade tibial). Principal responsável por estender (alisar) o joelho e permitir ações como chutar, se levantar e subir escadas. Inclui:
    • Reto Femoral: Origina-se na espinha ilíaca ântero-inferior (acima do acetábulo) e cruza duas articulações. Flete o quadril (ajudando a levantar a coxa) e estende o joelho. Por cruzar o quadril, é ativo em movimentos como chutar uma bola (fazendo swing da coxa e extendendo o joelho). É mais eficiente quando a coxa está flexionada (sentado).
    • Vasto Lateral: Origina-se no trocânter maior e lábio lateral da linha áspera, corre pela parte lateral da coxa. Estende o joelho e estabiliza a patela lateralmente. Forma a massa muscular lateral da coxa.
    • Vasto Medial: Origina no lábio medial da linha áspera e área intertrocantérica, descendo pelo lado medial. Estende o joelho e estabiliza a patela medialmente. Suas fibras inferiores (Vasto medial oblíquo) são importantes para manter a patela alinhada durante a extensão.
    • Vasto Intermédio: Localizado profundamente entre os vastos lateral e medial, origina nas faces anterior e lateral do fêmur proximal. Estende o joelho de forma direta. Fica sob o reto femoral.
    Juntos, os quadríceps são os músculos mais potentes da perna, essenciais para suportar o peso corporal. Durante a fase de apoio da marcha ou ao descer rampas, eles contraem excentricamente para controlar a flexão do joelho. No teste clínico, o reflexo patelar avalia a integridade de seus nervos (L2-L4).
  • Articular do Joelho (Articularis Genu): Pequeno músculo derivado do vasto intermédio, que se insere na cápsula articular do joelho. Tenciona e eleva a cápsula sinovial do joelho durante a extensão, prevenindo pinçamento da membrana sinovial sob a patela.
  • Isquiotibiais: Grupo de três músculos na região posterior da coxa, originando da tuberosidade isquiática (exceto cabeça curta do bíceps) e inserindo na perna. Fletem o joelho e estendem o quadril (retroversão da coxa), permitindo levantar o corpo de uma posição inclinada e impulsionar no salto/corrida. Incluem:
    • Bíceps Femoral: Possui cabeça longa (origina-se no ísquio) e cabeça curta (origina linha áspera do fêmur). Insere na cabeça da fíbula, lateralmente. Flete o joelho e roda lateralmente a perna quando o joelho está flexionado; a cabeça longa também estende o quadril. Este músculo é fundamental na fase de balanço da marcha para desacelerar a perna (atuando eccentricamente) e na extensão do quadril em corrida.
    • Semitendíneo: Origina da tuberosidade isquiática, possui um tendão longo terminal que insere na face medial proximal da tíbia (pata de ganso). Flete o joelho e roda medialmente a perna quando o joelho está flexo; também estende o quadril. Assim nomeado por ter longo tendão distal.
    • Semimembranoso: Também do ísquio, mas mais largo e com inserção em membrana (tendão achatado) na tíbia medial posterior. Flete o joelho e roda medialmente a perna, além de estender o quadril. Ambos semis (tendíneo e membranoso) ajudam a estabilizar o joelho medialmente, e a cabeça medial do gastrocnêmio também deriva do semimembranoso (tendão reflexo).
    Os isquiotibiais são muito ativos em atividades explosivas como sprint e salto, trabalhando para estender o quadril e flexionar o joelho rapidamente. Sua flexibilidade e força são importantes para prevenção de lesões, pois são propensos a estiramentos em atletas.
  • Poplíteo: Pequeno músculo triangular na parte posterior do joelho, do côndilo lateral do fêmur à porção posterior da tíbia superior. “Desbloqueia” o joelho da posição totalmente estendida iniciando a flexão – roda medialmente a tíbia (ou lateralmente o fêmur se a perna estiver fixa) para liberar a travamento do joelho em extensão completa. Também ajuda a estabilizar o joelho evitando rotação excessiva da tíbia e retrai o menisco lateral.

Perna – Músculos da Perna (Compartimentos Anterior, Lateral e Posterior)

Compartimento Anterior (Dorsiflexores e Extensores dos Dedos):

  • Tibial Anterior: Músculo longo na frente da perna, junto à tíbia (origina da face lateral da tíbia e membrana interóssea; insere no cuneiforme medial e base do 1º metatarso). Dorsiflete o tornozelo (levanta o pé, dedos para cima) e inverte o pé (sola para dentro). É crucial ao caminhar para levantar o pé (evitar arrasto dos dedos – sua fraqueza causa pé caído).
  • Extensor Longo dos Dedos: Origina no côndilo lateral da tíbia e fíbula proximal, inserindo-se por quatro tendões nas falanges médias e distais dos dedos 2–5. Estende os quatro dedos laterais (os “artelhos”) e dorsiflete o tornozelo. Permite levantar os dedos durante a passada.
  • Extensor Longo do Hálux: Profundo entre os anteriores, da fíbula média à falange distal do hálux (dedão). Estende o hálux (dedão do pé) e auxilia a dorsiflexão do tornozelo. Importante para a fase de balanço do dedão e para firmeza no passo final (propulsão).
  • Fibular (Peroneal) Terceiro: Pequeno músculo inconstante, parte do extensor longo dos dedos (considerado seu feixe lateral). Insere na base do 5º metatarso. Dorsiflete e realiza eversão fraca do pé. Contribui para estabilizar lateralmente o tornozelo.

Compartimento Lateral (Eversores do Pé):

  • Fibular Longo (Peroneo Longo): Origina na cabeça e face lateral superior da fíbula, tendão passa por trás do maléolo lateral e sob o pé, inserindo na base do 1º metatarso e cuneiforme medial. Everte o pé (sola para lateral) e planta-flexiona fraco o tornozelo, além de ajudar a sustentar o arco transversal do pé. Ao contrair, permite firmar a sola do pé no chão quando estamos em superfície inclinada lateralmente.
  • Fibular Curto (Peroneo Curto): Origina na metade distal da fíbula lateral, tendão insere na base do 5º metatarso. Everte o pé e auxilia na flexão plantar fraca. Junto com o fibular longo, evita torcer o pé para dentro (protege contra entorses laterais) e estabiliza o tornozelo lateralmente.

Compartimento Posterior (Flexores Plantares e Flexores dos Dedos): Dividido em camada superficial e profunda:

  • Gastrocnêmio: Músculo da panturrilha com duas porções (“cabeça medial” e “cabeça lateral”), originando nos côndilos femorais correspondentes e unindo-se para formar o tendão de Aquiles. Flexiona plantarmente o tornozelo (aponta o pé para baixo) com potência – é o principal músculo para ficar na ponta dos pés – e flexiona o joelho (quando a perna não está sustentando peso). É essencial para impulsão ao caminhar, correr e pular.
  • Sóleo: Músculo largo e chato sob o gastrocnêmio, origina na parte superior da fíbula e tíbia (linha do sóleo) e também se insere via tendão de Aquiles no calcâneo. Flexiona plantarmente o tornozelo (principal músculo de resistência para postura em pé e caminhada lenta). Atua de forma mais resistente e contínua (fibras predominantemente de contração lenta) mantendo-nos de pé sem cair para frente. Junto com o gastrocnêmio, forma o tríceps sural.
  • Plantaris: Pequeno músculo com longo tendão, presente acima do lateral do gastrocnêmio (origina fêmur lateral supracondilar). Auxilia fracamente na flexão plantar do pé e flexão do joelho. Possui pouca função motora (por isso frequentemente ausente ou usado para enxertos de tendão), mas o tendão longo lembra um “tendão de palmar longo” da perna.
  • Poplíteo: (Descrito acima) – apesar de estar no compartimento posterior profundo, age no joelho como desbloqueador (não atua sobre o tornozelo).
  • Tibial Posterior: Músculo profundo central da perna posterior, origina em tíbia, fíbula e membrana interóssea, passando atrás do maléolo medial e inserindo-se em vários ossos do tarso (navicular, cuneiformes, cuboide) e base de metatarsos 2–4. Inverte o pé (sola para dentro) e flexiona plantarmente o tornozelo, além de dar importante suporte ao arco longitudinal do pé. É crucial para a estabilidade do arco plantar – sua disfunção leva ao pé plano adquirido.
  • Flexor Longo dos Dedos: Origina na tíbia posterior, tendão corre medial e divide-se em 4 para as falanges distais dos 4 dedos laterais. Flexiona os dedos II–V (encurva os artelhos, principalmente nas articulações distal e proximal) e flexiona plantarmente o pé. Ao caminhar, ajuda a agarra o solo com os dedos e sustenta o arco longitudinal.
  • Flexor Longo do Hálux: Origina na fíbula posterior distal e membrana interóssea, tendão vai ao dedão (falange distal). Flexiona o hálux (dedão) vigorosamente – necessário para empurrar o corpo no final da passada (o dedão fornece grande parte da força de propulsão) – e flexiona plantarmente o tornozelo. Também apoia o arco medial do pé. É potente (dedo grande carrega peso considerável na impulsão).

Nota: Os tendões dos músculos tibial posterior, flexor longo dos dedos e flexor longo do hálux passam juntos atrás do maléolo medial, contidos pelo retináculo flexor – a ordem de anterior para posterior é usualmente Tibial Posterior, Flexor dos Dedos, Artéria Tibial Posterior, Veia, Nervo Tibial, Flexor do Hálux (mnemônico: Tom, Dick And Very Nervous Harry). Eles fazem a inversão do pé e flexão plantar combinadas, importantes para ficar na ponta dos pés com o pé supinado ou para empurrar off na corrida.

Pé – Músculos Intrínsecos do Pé (Dorsais e Plantares)

Pé – Músculos Intrínsecos do Pé (Dorsais e Plantares)

Dorso do Pé:

  • Extensor Curto dos Dedos (Extensor Digitorum Brevis): Músculo no dorso do pé, origina na face dorsal do calcâneo e divide-se em tendões para os dedos 2–4 (às vezes 2–5, dependendo do autor, exceto o hálux). Auxilia o extensor longo dos dedos a estender os dedos 2–4 nas articulações interfalângicas (estende os artelhos, principalmente os distais). Visível como uma pequena massa lateral ao tendão do hálux durante a extensão dos dedos.
  • Extensor Curto do Hálux: Geralmente considerado parte do extensor curto dos dedos, com tendão específico para o hálux (dedão). Auxilia a estender o hálux na articulação metatarsofalângica. Insere-se na falange proximal do dedão.

Sola do Pé (Plantar) – Dividida em 4 Camadas:

Camada Superficial (1ª camada):

  • Abdutor do Hálux: Da apófise medial do calcâneo ao lado medial da base da falange proximal do hálux. Abduz e auxilia a flexão do dedão (afasta o hálux do eixo do segundo dedo, ou seja, em direção medial). Ajuda a estabilizar o dedão durante a fase de apoio.
  • Flexor Curto dos Dedos (Flexor Digitorum Brevis): Análogo plantar do flexor superficial dos dedos na mão. Origina no calcâneo (tuberosidade) e aponeurose plantar, dividindo-se em 4 tendões que se inserem nas falanges médias dos dedos 2–5. Flexiona as articulações dos dedos II–V (falanges proximal e média – “dobra os artelhos”) auxiliando a agarrar o solo ou impulsionar-nos durante a marcha. Os tendões bifurcam-se para passagem dos tendões do flexor longo (como no sistema da mão).
  • Abdutor do Dedo Mínimo (Abdutor do 5º dedo): Do calcâneo (processo lateral) à base da falange proximal do dedo mínimo. Abduz o dedo mínimo (afasta o 5º dedo do 4º, auxiliando a alargar a base de apoio) e levemente o flexiona.

Camada 2 (músculos associados aos tendões do flexor longo):

  • Quadrado Plantar (Músculo Acessório): Origina-se em duas cabeças dos lados medial e lateral do calcâneo, inserindo-se no tendão do flexor longo dos dedos. Ajusta a linha de tração do flexor longo dos dedos, puxando seus tendões de forma mais reta para flexionar os dedos de modo uniforme. Assim, corrige a direção oblíqua da força do flexor longo e auxilia na flexão dos quatro dedos laterais, especialmente quando se aplica força (por exemplo, ao empurrar algo com os dedos do pé).
  • Lumbricais do Pé: Quatro pequenos músculos originados nos tendões do flexor longo dos dedos (um em cada intervalo entre os tendões), inserindo-se nas expansões dos dedos 2–5, no lado medial. Têm ação semelhante às mãos: flexionam as articulações metatarsofalângicas e estendem as interfalângicas dos dedos 2–5. Ajudam a manter os dedos estendidos durante a fase de apoio da marcha, ao mesmo tempo permitindo a base dos dedos flexionar para agarrar o chão ou equilibrar.

Camada 3 (músculos da base do hálux e dedo mínimo):

  • Flexor Curto do Hálux: Origina no cuboide e cuneiforme lateral, insere-se com duas cabeças na base da falange proximal do hálux (ambos os lados, contendo ossículos sesamoides). Flexiona a articulação metatarsofalângica do hálux (curva o dedão para baixo) dando força ao empurrar no final do passo. Os ossos sesamoides sob sua inserção protegem o tendão do flexor longo do hálux durante a fase de propulsão.
  • Adutor do Hálux: Possui duas porções – cabeça oblíqua (do bases dos metatarsos 2–4) e cabeça transversa (dos ligamentos plantares dos dedos 3–5) – convergindo para a base da falange proximal do hálux, lado lateral. Aduz o hálux (aproxima do segundo dedo) e auxilia a manter o arco do antepé, especialmente durante o impulso (evita que o dedão se desvie lateralmente). Também ajuda a flexionar o hálux. Fraqueza deste músculo pode contribuir para hálux valgo (joanete).
  • Flexor Curto do Dedo Mínimo: Origina no 5º metatarso e bainha do fibular longo, inserindo na base da falange proximal do dedo mínimo. Flexiona o dedo mínimo no metatarsofalângico, auxiliando em pequenos ajustes de apoio lateral e adicionando força na preensão do chão pelos dedos laterais.
  • Oponente do Dedo Mínimo do Pé: (Inconstante) Pequeno feixe que pode prolongar o flexor curto do mínimo até o 5º metatarso. Puxa ligeiramente o quinto metatarso plantar e medialmente, aprofundando a côncavidade plantar e estabilizando o dedo mínimo durante a preensão do solo.

Camada 4 (mais profunda, interósseos do pé):

  • Interósseos Plantares (3 músculos): Situados nas faces metatarsais, originando nos metatarsos 3–5 (face medial) e inserindo nas falanges proximais dos dedos 3, 4 e 5, lado medial. Aduzem os dedos 3, 4, 5 em direção ao segundo dedo (que serve de eixo no pé) – ou seja, aproximam esses dedos do eixo central do pé. Também auxiliam a flexionar as articulações metatarsofalângicas e estender as interfalângicas dos mesmos dedos, semelhante ao papel dos interósseos nas mãos (embora o padrão de referência seja diferente: no pé, o segundo dedo é neutro).
  • Interósseos Dorsais (4 músculos): Preenchem os espaços intermetatarsais de todos os dedos menos do quinto (originam de metatarsos adjacentes), inserindo nas falanges proximais dos dedos 2, 3 e 4. Abduzem os dedos 2, 3 e 4 em relação ao eixo do segundo dedo (o segundo dedo pode abduzir para ambos os lados, tendo dois interósseos, enquanto o hálux e quinto dedo não têm interósseo dorsal próprio pois já possuem músculos abdutores dedicados). Assim, afastam os dedos um do outro, auxiliando no equilíbrio lateral. Também participam, junto com os plantares, da flexão nas bases e extensão das pontas dos dedos. Função: Os interósseos do pé, inervados pelo nervo plantar lateral (equivalente ao ulnar na mão), atuam principalmente na estabilização dos dedos durante a fase de impulso na marcha e no ajuste fino da distribuição de carga pelos dedos. Por exemplo, ao ficar na ponta dos pés, eles ajudam a manter os dedos alinhados e firmes no solo para evitar que deslizem ou se sobreponham.
  • Músculo Submetatarsiano Transverso (não músculo, mas ligamento transverso profundo): Embora não seja um músculo, vale citar que existe um ligamento transverso profundo do metatarso que conecta as cabeças dos metatarsos, complementando a função de manter a estrutura anterior do pé unida junto com os adutores e interósseos transversos.

Por fim, vale lembrar que a coordenação entre músculos extrínsecos (perna) e intrínsecos (pé) é essencial para uma marcha normal e equilíbrio. Os músculos intrínsecos do pé, embora pequenos, contribuem para o suporte dos arcos plantares e para ajustes finos de pressão durante a caminhada e posição ereta. A disfunção desses músculos pode levar a alterações posturais e problemas como pés planos, dedos em garra, etc. Graças a todos esses músculos, conseguimos desde movimentos potentes – como correr e saltar – até tarefas delicadas – como equilibrar-nos em terrenos irregulares ou apanhar pequenos objetos com os dedos dos pés.

Referências: As informações acima foram compiladas e resumidas a partir de diversas fontes anatômicas confiáveis, incluindo textos de anatomia humana e artigos revisados por especialistas. Detalhes sobre origens, inserções e funções musculares basearam-se em referências clássicas e atualizadas, garantindo a fidedignidade das descrições anatômicas. Essa lista abrangente serve como referência de estudo dos músculos do corpo humano, organizados por região anatômica e com suas principais funções destacadas.