Implante de Neuroestimulador Sacral: excelente opção para controle urinário e fecal

O uso do implante de Neuroestimulador Sacral mostrou-se bastante promissor no tratamento de pacientes que enfrentam dificuldades com a incontinência, ajudando no restabelecimento do controle urinário e fecal.

O envelhecimento da população e os eventos que causam mudanças nos músculos do assoalho pélvico (parto vaginal, cirurgias, acidentes, exercícios físicos extremos, mudanças hormonais, esforço evacuatório crônico) são hoje causas importantes de patologias que afetam muito a qualidade de vida.

Estamos falando dos quadros de incontinência urinaria e fecal, prolapso de órgãos e síndromes dolorosas envolvendo a região da pelve, do ânus e vagina. São problemas mais comuns nas mulheres e geram quadros de constrangimento e até mesmo depressão.

A incontinência anal, por exemplo, afeta até 18% da população geral, com incidência variando entre populações e países. Essa condição é caracterizada pela falta de controle esfincteriano, incluindo a perda involuntária de fezes ou gases, gerando assim um grande prejuízo para a qualidade de vida dos indivíduos acometidos.

O sintoma pode acometer qualquer indivíduo, independentemente da idade. Entretanto, é mais comum em mulheres após a menopausa. Pode estar associada também ao diabetes e doenças neurológicas.

A incontinência urinaria e a bexiga hiperativa também são transtornos bastante comuns.

As estimativas são de que cerca de 37 e 11.5 milhões de indivíduos são acometidos hoje com bexiga hiperativa e incontinência fecal, respectivamente.

Dessa forma, se imaginarmos que a vida média dos indivíduos hoje tem sido acima de 75 anos, esses distúrbios podem ser considerados um verdadeiro problema de saúde pública.

A boa notícia é que já existem tratamentos para solucionar o problema. Além de medicações e técnicas de reabilitação e fisioterapia, a opção mais inovadora é o implante de um neuroestimulador sacral. O dispositivo é semelhante a um marca-passo e é implantado com uma técnica minimamente invasiva na região sacral. Os estímulos promovem uma neuromodulação cortical que ajudam o organismo a recuperar o controle do esfincter anal e urinário.

“A neuromodulação é indicada para o tratamento dos distúrbios funcionais do assoalho pélvico, como a incontinência fecal, e incontinência urinária, distúrbios de defecção e dor retal crônica. Uma das vantagens desta técnica é a possibilidade da realização de um teste, quando o efeito da neuromodulação é observado. Assim, é possível acompanhar a melhoria dos sintomas, quando então indicamos o implante definitivo”, explica a coloproctologista Lucia de Oliveira, uma das pioneiras desta cirurgia no Brasil.

Implante de Neuroestimulador Sacral: excelente opção para controle urinário e fecal

De acordo com a especialista, titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, o procedimento é indicado para pacientes com incontinência fecal e bexiga hiperativa que não apresentam melhora com o tratamento clínico e que tem um quadro grave, com grande prejuízo na qualidade de vida: “O implante do neuroestimulador tem proporcionado uma grande melhora dos sintomas, devolvendo a auto estima dos pacientes e permitindo o retorno do convívio social.  A neuromodulação recupera circuitos nervosos perdidos ou danificados e permite que o paciente volte a realizar suas atividades habituais com mais segurança. Mais de 70% dos pacientes têm resposta positiva ao tratamento”, afirma Lucia de Oliveira, que já realizou mais de 100 cirurgias deste tipo. Em todo o mundo, cerca de 325 mil pessoas já passaram por cirurgias para a implantação do neuroestimulador sacral.

O procedimento está no Rol na ANS, e pode ser realizado pelo Sistema Único de Saúde ou nos hospitais particulares cobertos pelos planos de saúde.

Dra. Lucia Oliveira — Coloproctologista.

Dra. Lucia Oliveira é proctologista, doutora em Cirurgia do Aparelho Digestivo pela Universidade de São Paulo, membro titular e especialista da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, Membro Titular e especialista em Cirurgia Geral pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões, pós-graduada no Departamento de Cirurgia Colorretal da Cleveland Clinic Florida. Além disso, é autora de seis livros, sendo o “Anorectal Physiology, a clinical and surgical perspective” (Editora Springer) o mais recente. Visite o site da Dra. Lucia de Oliveira: https://proctologiaclinica.com.br/ e o seu instagram: @proctologiaclinica

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